sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Blasée

Não busco a verdade sem sentido
Busco dar sentido a verdade que sinto
Sem querer fiéis alunos ou soldados
Pois sequer sou mestre do que é em mim
O querer de meu coração
Não subirei a montanha mais alta
A procura de ascetas ou de Zaratustra
Não me tornarei nunca um super-homem
Ou descerei com tábuas vomitando regras
Para querer ser Avatar de qualquer nação
Não me abalam as conspirações ou (des)governos
Não procuro a fórmula da Coca Cola
Ou o nome secreto de Deus nos átomos
A cura do câncer ou da calvície
Não me tornarão Barão ou mesmo herói
Não quero ser presidente ou herói de nada
Não legislo profetizo proíbo ou recomendo
O guardanapo manchado de gordura deste poema
Não guarda segredos ocultos da pedra filosofal
E não foi inspirado por anjos, caídos ou não.
O poema no guardanapo tem função e objetivo
Que não a de bálsamo ou de salva-vidas
Não é salmo ou filosofia ou canção
Nada tem a ver com minha insônia ou dor de dente
Ou com minhas esperanças e desilusões
Ainda que eu tenha subido ao palco
Que tenha rasgado o peito e mostrado as veias
E tenha gritado verdades que descobri anteontem
Conversei com poucos irmãos e abraçados choramos
A morte do inconformismo, o medo do medo da morte
"Não sou eu quem vai mudar o mundo"
É o novo mandamento universal, novo grilhão
É o fim de tudo, o buraco negro do inconsciente coletivo
E o mundo não muda mesmo e continua
Acreditando em lindas superstições estéreis
Adiarei meu suicídio com estas cartas
E nelas buscarei conforto por não ter me curvado
Ainda que o futuro me perverta o coração
Ou me seduza com seus irreality shows
Este guardanapo irá congelar esta emoção
O sol nasce no fim da Frei Caneca
As cadeiras estão viradas sobre as mesas
E eu com meu guardanapo-espelho fotografo
O movimento do mundo ensimesmado e blasée
Que não reconhece a importância de nada
Agora, no espaço final deste esboço,
Posso confessar meu único último desejo
Que desejei há menos de um minuto
Feliz... Porque talvez me tenham ouvido
Busco, em meu ofício desvairado, provocar.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Controle Remoto

Fabiano Silmes
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Fragmentos

FRAGMENTOS
Mais uma noite que cai no Rio de Janeiro
Junto uma chuva impertinente
No ar há uma melancolia, talvez tristeza
O cheiro do asfalto quente e molhado
A velocidade dos passos aumenta
Faces anônimas misturam chuva e suor
Num ir e vir trôpego e descompassado
A luz reflete nas gotas da janela
Brincando de cores e formas em meio ao caos
As impacientes buzinas ecoam na grande avenida
Tal qual o peão acelerando o passo da boiada
Mais do que pessoas, universos paralelos
Coexistindo na mesma realidade
A água escorre se arrastando pelo meio fio
Levando consigo um pouco de tudo
A sujeira, o suor, as lágrimas...
Como uma veia aberta a sangrar
Esvaindo fragmentos de vidas que não cansam
E insistem em passar.
Vitor L. Muniz
sábado, 21 de novembro de 2009
Bonitinho Bonitinho!

Eu lhe vi, menina triste,
A esperar o príncipe encantado
Sentada na escada pro céu
E a mim, pobre bobo da corte,
Sua tristeza doeu tão no fundo
Que minha alegria também morreu
Comecei a desejar então, menina triste,
Que o seu príncipe, que não existe,
Fosse não encantado, mas eu
Eu, pobre bobo sem sorte,
Bobo da corte, bobo apaixonado
Desejava ser príncipe encantado
Só pra não lhe ver, menina triste,
Derrubar uma lágrima mais
Eu lhe amo demais, menina triste,
Mas sou apenas um bobo da corte.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Teu Doce Desespero
Tristes pesadelos eu vivo com teu triunfo,
Maldita sejas! Tu que vives a usurpar.
Diabólico ser mascarado, tua máscara cairá,
Tuas lágrimas de tristeza são o mel de minha alegria,
Tuas lágrimas de derrota são o vinho de minha vitória.
Teu doce desespero é o sangue quente de minhas veias,
Tenho um prazer orgásmico quando rastejas pelas estradas,
Escancaro meu ódio a ti e espero que sofras mais.
Quero que cada erro teu seja um fel em tua língua,
Que teu sangue sujo derrame, mas não a deixem morrer.
Caminhe por espinhos e rasgue tua carne, continue viva,
Desejo o néctar mais puro de teu sangue ao chão,
Desejo-te a imortalidade para arrepender-se.
E quando arrependida ainda sofra um pouco,
Alimente minha libido exótica com tua tragédia.
Teu doce desespero será consumido bem lentamente,
Tua sentença de vida é o sofrimento puro e vagaroso,
Tua agonia é minha refeição mais elaborada e saborosa.
Iguaria que comerei devagar para que seja durável,
Especiaria minha que me enjoarei e darei ao descanso mortuário.
Teu sofrimento será a pintura que emoldurarei em minha melhor parede, eis o teu doce desespero.
- Mensageiro Obscuro.
2004.
Foto: Imagem de fonte desconhecida encontrada no Google Imagens.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Bela Dama Exótica
Que prazer tê-la ao meu lado,
Suas cartas exaltaram meu peito.
Tuas mensagens intensas
Sustentaram sonhos saborosos.
Agora não estou tão sozinho,
Sua voz infantil esconde uma mulher,
Que em fortes abraços descobri.
Com linguagem mansa,
Suas palavras extasiam,
Como se nunca amasse
Nessa vida breve.
Sou detetive desvendando
Mistérios de suas curvas
E descubro suas facetas
Enquanto as horas passam.
Penso em nossa inconstância,
Busco-a entre tantos rostos.
Liberemos nossos instintos
Para viver o indefinido.
- Mensageiro Obscuro.
Abril/2005.
Foto: "Dance" por Alphonse Mucha, 1898.
sábado, 24 de outubro de 2009
Inacabado

E os poemas que tenho serão cercas vivas
ao redor e arder do tempo
A encobrir a falta de beleza nas lápides
Como conchas semi-veladas pela areia
Aguardam o vagar das ondas
para seremanunciados
Aguardam a ira retumbante do Amor,mesmo que tardio
para serem proclamados
Na infância as crianças brincam de roda
e sobre seus sonetos se põem a cantar
E eu homem maduro mevejo na roda
Que o mundo brinca
para cada traço de mim
Fazer-se revelar!!!
Exúvia Hannar
Carioca
remanescente da geração 80
Contralto
estudante de iniciação a dramaturgia
Bibliófila
quarto fruto da união entre um mineiro e uma pernambucana que se conhecerem na forja do Rio de janeiro na década de 60
antes que na cidade pairasse esta cicatriz sem charme algum chamada Conivencia politica com a violencia.
arde a esperança de mais uma tarde
com ventos
luminosidade
e versos
sem tiros
nos bastidores da Poesia.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Quem é um?

Ninguém é um!
As pessoas são fragmentos da vida
Disfarçadas pela máscara da sociedade.
As pessoas tem medo pelo medo de ter medo.
As pessoas são um, dois, três,
Cinco, oito,
E nenhum ao mesmo tempo.
A cada segundo as pessoas são influenciadas
Por pelo menos um raio de
As pessoas não são nada
Pois se fossem alguma coisa
Mostrariam o nada que realmente são
E seriam realmente ninguém
Diante de todos.
Por que? ... Ninguém é um.
Seja diante de um todo vazio
Ou através de um vago cheio.
São clones de produção em série
Indeterminada, possível eterna.
Mares de CTRL-C CTRL-V.
Rios de cópias sem vontade
Nulas, cruas, frias, nuas.
As pessoas não são nada
Pois se fossem alguma coisa
Mostrariam o nada que realmente são.
Quem é um?
Ninguém!
Lisa Stér Cöy
---
www.lisastercoy.com
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A Poesia em Luto
O dia nasce envelhecido
Sobre a Marina do poeta
Nenhuma palavra se ouve
E todo gesto é uma prece.
Cobriram os olhos boca
E desejos de um homem
Mas sua voz extinta grita
Por justiça em cada verso
E que ninguém levante
Paus e pedras para guerra
Mas bandeiras brancas
Pois branca é a cor da paz
A paz de um riso eternizado.
Fabiano Silmes
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Os Três Poderes
_Para que serve um deputado, um Governador ou um juiz?
_Por que pergunta isso caro amigo?
_Doutor, me falaram uma vez que o deputado faz lei, o juiz executa elas e o governador organiza o estado.
_Certo caro amigo!
_Então doutor, fui fazer vistoria no meu carro. O fiscal do Detran pediu 100 reais senão meu carro não passaria no teste do gás.
_Isso é ilegal amigo!
_ Eu sei doutor, mais o fiscal do Detran é subordinado ao governador, que era para ser fiscalizado pelo deputado que era para ser condenado pelo juiz!
_Muito bem caro amigo!
_Então doutor, se nenhum deles fez isso para que serve eles então?
A história da vistoria acontece toda hora no estado do RJ, e os personagens da história fazem exatamente o enredo da história.
Não só o taxista, mais todos nós que pensamos um pouco ficamos há nos perguntar, para que serve os três poderes no Brasil?
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Minimalista
Um anúncio incendiário surge de uma lista,
circula em classificados de jornais, internet.
“Vendo a essência mais profunda da razão:
existir!
Também tenho pensamentos e atos.”
Mas, antes de ligar, enviar correio eletrônico,
tome muito cuidado...
Observe...
Seria melhor comprar um assunto mais delicado...
Que tal esse aqui:
“Estamos sofisticando antes de despoluir.”
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Já fui melhor noutras vezes
Hoje não quero mais
Não há para onde olhar
É apenas um eu, sozinho, vazio
enterrado no eco eterno de um longo corredor
Ainda pensei ser reconhecido
Demonstrar valor inerente
Atrair os olhos amigos
E, por que não, ser um bom exemplo, um total paladino
Mas vi que as ilusões são minhas
Que as minhas cobranças são injustas
Que meus amores são inalcançáveis
Que meus sentimentos são meu maior amigo
Mesmo agindo dividido
Verias que tu também fazes parte disso
E não tens culpa maior do que a minha
De não ter pressentido ou lido o que aí dentro de ti está
Preferes só revelar a tua própria identidade
É triste não estar parte de ti
Mas acredite que sofro porque te considero
Parte de mim, de meu profundo ego
Sou egoísta de ti, ó meu desbravador!
É que eu nunca pedi para ser um homem lendário.
sábado, 15 de agosto de 2009
O despero de Eduard Lonthon

“Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida duvidar tanto quanto possível, de todas as coisas”. (Descartes, discurso do método.)
O jovem Eduard Lonthon deu entrada no hospital psiquiátrico às dezoito horas e trinta e cinco minutos do dia 11 de setembro, apresentando com patologia nervosa: alucinações típicas da síndrome do pânico, alterações drásticas de comportamento e conduta obscena (esta, por vez, aparentava mais uma provocação gratuita do que um gesto de loucura por assim dizer). Dois enfermeiros, um deles alto com grande protuberância muscular e um outro menos corpulento, o seguravam com extrema dificuldade enquanto ele, descontrolado, vociferava impropérios contra as pessoas que esperavam na recepção do hospital. Algumas senhoras que estavam nas cadeiras próximas da porta de entrada, se afastaram às pressas, temendo a agressividade de Eduard:
_ Filhas da puta... vocês são todos filhos da puta, sabiam? Não vêem que ele está me seguindo...não vêem que a qualquer momento ele vai chegar aqui e me escravizar ? É isso que vocês querem? É isso? É?
Embora se tratasse de uma instituição psiquiátrica todos ali estavam consternados com aquele episódio e se entreolhavam atônitos.
_ O que vocês estão vendo é uma mentira...Eu sou tão real quanto um deus inventado... e ele conhece meu poder sobre os demais... por isso ele me quer como um escravo para sua tropa de mentira – continuava Eduard com o seu discurso inflamado – A cada minuto que permaneço retido pela brutalidade destes quatros braços... ele se aproxima de minha escolha e me domina como um estado usurpado.
Um homem vestido de roupas clericais se aproximou do jovem e lhe disse quase em súplica:
_ Acalme-se meu rapaz ninguém irá te ferir aqui dentro!
Por alguns momentos Lonthon ficou a olhar aquele homem de roupas pretas e de rosto ameno e logo disparou cinicamente:
_ É e quem protege aqui de si mesmo, hein, meu senhor?
_ Como assim? – Perguntou o homem de roupas clericais.
_ Sim! Isso mesmo!...você não me disse que ninguém irá me ferir aqui dentro? Pois então quem protege aqui senão os que estão aqui mesmo? - perguntou, Eduard, rindo de modo a se ouvir longe. O clérigo por vez disse num tom mais firme:
_ Ninguém irá te ferir meu jovem eu te garanto, além do mais este aqui é um hospital militar, portanto ele é vigiado, vinte quatro horas, por soldados que iram garantir a sua segurança. Eduard, um pouco mais contido, olhou o clérigo com quem dá um veredicto e disse entre os dentes:
_ Você é um tolo como os outros... ninguém irá me proteger dele... soldados não protegem ninguém... eles apenas lutam e morrem pelas idéias dos generais e estes, por vez, os interesses dos presidentes... dos embaixadores da guerra... e de tudo mais que seja alheio a mim e a você.
_ Meu filho, mas quem te persegue afinal? Um delinqüente, um desafeto? Alguém que...
_ Não você não entende... não entende, ele esta em tudo que vejo e sinto –
disse Eduard já em pranto.
O clérigo sem saber mais o que dizer... e sem a mínima vontade de continuar aquela conversa que não estava dando em nada concluiu:
_ Meu jovem daqui a pouco o médico vai te receitar alguma coisa... e amanhã você vai acordar mais calmo e tudo se resolverá.
Nisso Eduard como que possesso por um demônio, de repente retornou a sua fúria inicial:
_ Amanhã? Amanhã é o caralho... eu tenho que fugir daqui agora mesmo! Agora mesmo ouviu?
O clérigo, ainda tentando acalmar Eduard, disse-lhe:
_ O médico já está vindo e ele vai receitar alguma coisa para você dormir...
Lonthon, ainda descontrolado, o interrompeu abrupto e ruidoso:
_ Porra! Você não entende? Eu não posso dormir, eu não posso descansar... se eu dormir ele vai vir e me fará seu escravo. Você não entende porque é escravo como os outros...
Naquele interminável instante, que parecia ter sido retirado das páginas de Kafka, um médico carregando uma injeção se aproximou de Eduard, que se debatia nos braços dos dois enfermeiros, e lhe aplicou alguma espécie de sedativo. Quando Lonthon estava sendo levado, sem demonstrar a resistência de antes, viu seu reflexo em uma pequena superfície espelhada que ficava na parte posterior da sala, e disse entre o sono e o que lhe havia de desperto:
_Oh, não! Não pode ser... ele chegou e está ali me encarando... vocês estão vendo? Estão vendo ele ali? Ele está ali... e seus olhos estão em toda parte... não tem como fugir deste olhar maldito... não! Eu não quero... não quero me tornar escravo outra vez... não por favor, não deixem que ele me pegue... não! Não! Não!... Aagh, aagh, aagh. Logo após dizer estas palavras, entorpecidas pelo sedativo, Eduard, languidamente, adormeceu naqueles quatros braços que o carregavam para algum lugar, no tempo e no espaço, atrás da porta branca que se fechava para este mundo.
Fabiano Silmes
sábado, 1 de agosto de 2009

A atitude que não tomamos
A malícia que negamos
O pecado que não cometemos
As mentiras que contamos
São a lenha do fogo do inferno
O amigo que esquecemos
O dinheiro que não temos
A verdade que omitimos
Palavras duras que não dizemos
São a lenha do fogo do inferno
É lenha, lenha e mais lenha
As chamas crepitam sorrindo
O mal que não dividimos
A preguiça que sentimos
Projetos que não aprovamos
Caminhos que hoje seguimos
São lenha, lenha e mais lenha
As virtudes que cultivamos
O orgulho que não abolimos
As certezas que professamos
Os poemas que não escrevemos
As chamas crepitam sorrindo
Mais lenha ao fogo do inferno
Vamos dançar então um tango com o diabo
Sobre as cinzas de uma doce vida gauche
Pois a noite de sono
Com medo do inferno que pode ser a vida
Não perderemos
E não deitaremos atônitos sob os lençóis
Fingindo fé e adoecendo de esperança
Vamos jogar mais lenha na fogueira
E viver para eternizar o agora
Enaltecer a vida e não o fim
Pois ainda não é chegada a nossa hora
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Apreensão de livros causa apreensão
então segue abaixo o meu comentário sobre o (triste) episódio da apreensão de 16 exemplares do meu livro "Descaminhar".
---x---
"Personalidades autoritárias temem que a ameaça não venha das idéias, e sim da emoção. Quem está no poder nunca quer que nós tenhamos sentimentos. O pensamento pode ser controlado e manipulado, mas a emoção é obstinada e imprevisível. Artistas ameaçam a autoridade expondo mentiras e inspirando a paixão pela mudança. É por isso que quando tiranos assumem o poder, seus pelotões de fuzilamento miram no coração do escritor". (Robert McKee)
Para quem ainda não sabe o episódio:
Na Quinta-Feira, 02/07, estava trabalhando na FLIP, vendendo meu livro Descaminhar, no velho e prazeroso esquema de abordagem direta, olho no olho, mão em mão, quando fui alertado por um fiscal de que a FLIP havia solicitado à Prefeitura de Paraty que não permitisse que ninguém trabalhasse vendendo seus materiais na cidade, mesmo eu sendo um convidado da Off-Flip e mesmo o produto que eu estava ali divulgando sendo algo extremamente pertinente ao momento: um livro. No segundo momento, quando chamado por uma leitora que havia visto anteriormente o livro e estava interessada, fui novamente repreendido pelo fiscal que então tomou uma absurda atitude para o século XXI - Apreendeu os livros, escritos e produzidos por mim mesmo, dos quais eu sou único responsável e proprietario dos direitos autorais, sob o argumento de que eu estava "comercializando produtos sem autorização".
É importante ressaltar que eu em momento algum montei uma banca, uma barraca ou qualquer coisa do tipo - o que descaracterizaria qualquer dano patrimonial a cidade, desculpa oficial que surgiu dias depois da FLIP mas que sequer foi comentada durante a FLIP. Eu estava apenas divulgando de mão em mão, olho no olho, dentro do meu direito de ir e vir e de livre expressão artística. Eu não estava portando logotipo de nenhuma empresa, não estava vinculado a nenhuma instituição ou pessoa juridica e, portanto, esse ato não pode ser caracterizado como "ação comercial". A origem da poesia vem das ruas e praças, onde ela nasceu. No entanto, desde os tempos dos trovadores o artista precisa comer e ter onde dormir e, portanto, faz-se necessário dentro de um trabalho de divulgação a contrapartida financeira.
Diante de tal situação rumamos eu, Berimba de Jesus e Rodrigo Ciriaco para a Off-FLIP, que nos havia convidado, a fim de relatar o episódio. Quando conversamos com o Ovidio, ele nos informou que a FLIP já havia repreendido também algumas meninas que estavam divulgando folhetos da Off-FLIP e demonstrou grande preocupação com o fato. Na mesma tarde Rodrigo comunicou Marcelino Freire do ocorrido e nós também conversamos com a Lia, da Off-FLIP, que também se comprometeu a atuar no sentido de lutar pela liberação do nosso trabalho. Graças a um esforço conjunto de diversas pessoas, que procuraram a direção da FLIP e a imprensa, conseguimos finalmente chegar ao Sr. Didito, que nos informou "que a FLIP não queria ser caracterizada como um evento comercial, que não queriam que virasse uma feira." Explicamos a ele a natureza de nosso trabalho, que não estavamos montando barracas, o que descaracterizaria a "feira", que a literatura de rua é uma tradição antiga no Brasil, que mesmo Manuel Bandeira, homenageado da edição, editava e vendia os próprios livros e, após esta conversa, mesmo com relutância, ele acabou não apenas me autorizando a trabalhar, mas a todos os demais escritores de rua.
---xxx----
O caso é que tal apreensão gera a necessidade de uma reflexão mais ampla sobre o momento cultural que o Brasil vive. Um país que luta para estabelecer uma cultura de leitores não pode abdicar jamais do trabalho dos muitos autores que tomam as ruas para divulgar a literatura. Estas pessoas, de vidas dificeis e que lutam para sobreviver com um minimo de dignidade, dedicam suas mais nobres e vitais energias para ultrapassar as dificeis barreiras impostas entre um autor e seu público. Ninguém fica milionário com isso (muito pelo contrário) e, na verdade, a maior parte dos autores de rua trabalham de segunda a segunda, faça chuva ou faça sol, e ainda por cima sofrem com a pecha de "vagabundos" e com um preconceito cada vez maior, inclusive do meio literário. Como se fossem uma espécie de "sub-literatura". O que, na verdade, esconde um argumento implicito de que só é "boa literatura" aquela literatura que é chancelada pelos meios oficiais. Se você não passou por um crivo editorial, se não tem um respaldo acadêmico, você passa a ser tachado como um "artista menor".
Esse preconceito chancela atitudes autoritárias como a que ocorreu na FLIP, como se o autor que vende o seu livro na rua fosse um mero camelô, vendendo produtos contrabandeados sem recolhimento de impostos. Não é. Um autor que está divulgando sua obra tem um carater diferenciado por alguns motivos. Primeiro: é dono da obra em questão, seu único responsável e detentor dos direitos autorais. Segundo: seu "produto" foi produzido por ele, não foi tomado de ninguém e, portanto, é perfeitamente legítimo que ele possa comercializá-lo. Terceiro: o livro é um produto isento de tributação e, assim, quando ele faz sua venda olho-no-olho não está sonegando nenhum imposto. Quarto: a venda deste "produto" extremamente específico, de valor cultural, pode ser classificado como direito de expressão artística. Pois, quando o artista se depara com as MUITAS barreiras existentes entre ele e o público (que julgo desnecessário citar, pois creio que quase todos sabem das dificuldades de ser publicado e chegar às livrarias no Brasil), as vezes sua única saída é trabalhar com o relacionamento direto com o leitor. Ou seja, se um autor está na rua vendendo seus livros isto muitas vezes reflete uma falta de opções diante da sua necessidade de se expressar e ser lido. Pode-se até questionar eventualmente este caminho. Mas é indiscutível que é algo que deve ser respeitado.
Assim, vejo como necessário aproveitar esse momento para levarmos a uma reflexão, a fim de que se possa revalorizar esta difícil escola das ruas. Essa escola que olha no olho dos leitores, que percebe suas emoções refletidas nos olhos diante do livro, que masca pedras para cuspir flores. O público é também um validador possível para a literatura, não cabendo apenas aos meios tradicionais o poder de chancelar o que é ou não literatura. Até porque estes meios também são dinâmicos e o que antes era considerado bom pode amanhã ser ruim, ao sabor do gosto ou da teoria do momento. Assim, é legítimo legar ao leitor diretamente o direito de decidir o que lhe agrada ao não, independente de resenhas, indicações ou prêmios. Á Cesar o que é de Cesar.
Agora o que dizer a quem sustenta um evento que toma atitudes que deveriam ser sumariamente rechaçadas? Talvez que, assim, a FLIP NEM PARECE FESTA LITERÁRIA. Que NÃO FOI FEITA PARA VOCÊ e NEM ACREDITA NO MELHOR DO BRASIL. Enfim, é algo para se pensar.
Por favor, se você concordar com estas palavras, passe adiante. Não podemos nos calar diante disso.
Repercussões do Caso: (sabendo de mais alguma, me informe. dados by google)
http://www.ptostes.blogspot.com/
http://www.efeito-colateral.blogspot.com/
http://www.logorreia.com.br/
http://sobrecacosepontes.blogspot.com/
http://berimbadejesus.blogspot.com/
http://bethbraitalvim.blogspot.com/
http://flaviadurante.blogspot.com/
http://chacalog.zip.net/
http://photophophoka.livejournal.com/
http://outubro.blogspot.com/
http://otatubola.blogspot.com/
http://www.ube.org.br/lermais_materias.php?cd_materias=3271
http://www.marmitafilosofica.com/
http://www.ambrosia.com.br/ http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/07/07/cultura/poetas_de_rua_barrados_na_festa_dos_livros_em_paraty.asp http://mnocelli.blog.uol.com.br/
http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com/
http://lysminhalma.zip.net
Abraços e saud-ações a todos,
Pedro Tostes
ptostes@hotmail.com
http://www.ptostes.blogspot.com/
sexta-feira, 17 de julho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Não sei e nada sei, só sei que serei...
Eu procuro algoUm algo que nem sequer sei para que
Nem onde
Nem porquê.
Sequer sei o que sei
Eu procuro um encaixe
Mas o que será isto?
Todos duvidam que eu ache
Pois eles também estão perdidos.
E eu procuro um encaixe.
Um lugar onde eu caiba
e que seja bem-vinda.
Que eu olhe a tudo
E veja um mundo de esplendor.
Que eu saiba
Abrir asportas
E descobrir a cor
Do amor.
Mas eu sou como todos
E como todos não venho a saber.
Só sei que um dia farei e verei.
Só sei que, como Sócrates, nada sei.
domingo, 14 de junho de 2009
Meu Habitat
O céu era branco e pouco estrelado,
Árvores, pedras, rios e lagos... congelados,
Algo diferente havia em mim,
Sentia pelo corpo, sentia-me mais instintivo,
Eu mudei e buscava minha egrégora.
Notei cavernas escuras e geleiras imponentes,
Granizos caíam como estrelas pouco vívidas,
Na serenidade mortífera tudo era inóspito,
O frio e ventos incomodavam-me menos,
Minha aventura estava mais próxima do fim,
Abismos e cavernas agora eram meu território.
Vivi a edificante misantropia naquele lugar incrível,
Lá eu era livre de fardos da humanidade,
Em meu lar distante eu podia ser eu mesmo.
No alto da montanha observei o abismo,
E senti um poder interno crescente.
Rosnei e urrei, logo senti-me maior e poderoso,
Pesado e peludo, meus trajes sumiram,
Transformei-me em um grande urso polar.
Descansei em uma carverna escura,
Dormi entre meus parentes ursídeos.
Hibernei até a próxima estação, esperando por dias melhores.
- Mensageiro Obscuro.
Dezembro/2008.
Sunsetletters

Sunsetletters
Foi como cortar em laminas agudas as adormecidas e sofridas entranhas
Era como o olhar que caia sobre o gelo abraçando com todo amor apenas a amplidão que o tempo lhe oferecia solenemente: Cáustico frio
Era como ser traspassado por afiada lamina e admirar com antagonismo aquele misto de anjo & serpente
Uma cobra coral,animal divinal,um meio-rosto no cais, brindar em taça de ouro um caro veneno na companhia do Arauto da mágoa
encantador em meio á névoa
Não, não seria mesmo o recomeço D'algum retrocesso para o qual sabia-se ter preço e sentença
Bukowsky,Waits ou Whitman afrouxariam as irreais rédeas em seu pescoço
Ou os laços em sua mente,
sibilariam que:
Contradizer-se é apenas humano
Contradizer-se é o nó que trazes atado como atestado de tua existência
Contradizer-se é parte do ritual
Que te impele a escolher estradas ,duvidar caminhos,atirar-se ao fundo do lago com os olhos pungentes ou cerrados
sob o sol ou entre estrelas
Contradizer-se é parte do ritual
Que lhe faz render-se a insônia e compor estrofes catarses
Que lhe faz
Andar de mãos dadas com o invisível (quem quer que ele seja)
Tal como o amor que feriu,
Uma saudade indecente,
O amigo que partiu,
O filho que não veio,
flor na manhã de inverno,
beijo na forma de sopro,
Ou ultimo verso de uma canção em que não se recordam mais textura e melodia
Era como se fosse perder e ao mesmo tempo fazer renascer
a despedida de seus velhos ídolos e secretas canções entoadas na voz de um cúmplice- anjohumano
Eis que parte do poeta vê neste momento o destecer de uma encruzilhada
Um cálido poente sobre sonetos que são cinzas de cartas e sonhantes passagens!
Melian Cordéus/Exúvia Hannar
trilha:http://www.youtube.com/watch?v=ayrYIODq1cc Festival/Sigur ros
O 1º texto escrito após a partida da Srta Otavia Daiello
dedicado a ela
amiga
poetisa
maria filosofa
fã&Crítica honesta
Incentivadora.
sábado, 30 de maio de 2009
Ilha Cama
Aquela ilha era muito estranha
A começar que não era uma simples ilha,
Era u
ma ilha cama...Na ilha havia apenas dois habitantes
ou seria dois dormintes?
Habitantes sem diálogo
Cheios de suas próprias entranhas...
Entranhas que crescem....
Cada um com a sua crescendo...
Eles dormiram e as entranhas continuaram a crescer...
As entranhas os mataram...
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Sua Hipnose
Ego, super-ego e id, minhas facetas.
Sua hipnose tomou minha mente,
Ela tentou me invadir, firme...
Armadilhas e prisão, ela me queria,
Minha pineal latejava intensa,
Sedutora... a moça adentrava,
Degustava parte de mim.
Quis ludibriar minha cabeça,
Com seus comandos e ousadia.
Em meu abismo pessoal
As regras são minhas.
A invasora observou a fenda colossal,
Perguntava a si mesma se saltaria
Na escuridão do meu abismo
Para desvendar mistérios e segredos.
Abracei-a forte e de surpresa
Evitando que se atirasse.
Eu a expulsei mas antes
Apreciei seus lábios carnudos.
Meu abismo pessoal é só meu, ninguém entra além de mim.
- Mensageiro Obscuro.
Maio/2009.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
O Blog A Corja citado em site do Artista Plástico João Werner
sábado, 16 de maio de 2009

Tanta coisa boa anda por aí na cultura.
Meus anos de vida parecem não dar conta de tudo.
Por isso abro mão de algumas coisas por outras.
Uma página lida de Paulo Coelho pode representar uma não lida de leon Tolstoy ou Rubem Alves.
Prefiro rever Laranja Mecânica.
Você já parou para pensar quantas coisas te fazem perder tempo?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Insensibilidade
Boa parte deles são vazios e inconseqüentes,
São monstros destrutivos e egocêntricos,
Tudo é sacrifício para sua deusa de matança,
O sabor das almas humanas costuma amargar,
Eles não percebem seus erros e culpa,
O templo da mediocridade elegeu seu avatar,
Choro em desespero pelo fim próximo.
Seres dóceis ao nascer,
Doentios ao crescer,
Inimigos da essência que dá vida,
Podres em vida
Ainda insensíveis ao morrer.
Párias débeis destruidoras da Natureza.
Empalada e esquartejada seja sua deusa
A mediocridade cultuada,
Quando os poucos conscientes
Forem muitos evoluiremos.
Quero o fim da calamidade,
Não suporto tanta dor,
A carnificina que os consumirá
Devorará o planeta.
Minha mãe Natureza morre lentamente
Abandonada por meus irmãos.
- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2007.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Enfrentamentos

expansões&Contrações do pensamento&enfrentamentos
CARTA PARA CÉSAR
Sempre há monstros ,
tecidos em nosso organismo.
Por dentro somos todos cheios de sangue,
De vermes,
de sobras.
Por fora,
as vezes somos mais sobras e vermes ainda
Embora uma harmonia assiste e insiste
de vontade de nós mesmos.
De trazer à tona um Deus ou um Demônio,
que não é ruim por ser demônio,
mas que é liberdade,
frente a um Deus-demônio que escraviza,
Por dentro essa harmonia que ordena nossas tripas-coração,
nossas art(érias),
onde a arte nega a ciência,
Pa(ciência).
Cons(ciência) ,
remédios me mordam
e retomam minhas noções
Precauções eu tenho: de não ser hipócrita.
Mas como ?
Assisto este duelo todos os dias.
E não tem um só dia que eu não seja
honesto e hipócrita.
A questão é o que está mais catalogado?
Enquanto isso minhas veias pulsam,
com uma lógica interna que quer vazar.
Com arte ou paciência?
recusar
aceitar
como vazar?
É um vão.
Um canto apenas.
De cantar,
e de cantinho.
É um ninho.
É uma fenda,
que brota
que tenta
Que vaza no cotidiano.
O poeta é alguém que foge,
mas só vale se deixar rastros,
fendas,
onde outros possam vazar!
Maurinho Célio
Professor,poeta,autor,amigo&militante e modelo no click do pier.
domingo, 10 de maio de 2009
Mal criada
Faço poemas com o cérebros
Não podia ser diferentes
Penso que escrevo versos conscientes
Desses miolos nasce a poesia do inconscientes
Faço poemas com o cérebro
Não podia ser diferente
Penso que escrevo versos consciente
Desses miolos nasce a poesia do inconsciente
Faço poemas
Não podia
Penso
a poesia do inconsciente
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Ironia Conjunta
Tampouco sôfrega
Do remorso esmiuçado
E das memórias lúbricas.
Então, ao pedido de resposta
Abaixa a cabeça
Tua mão funde em minhas costas
Abre os olhos num ato veemente e sedutor
Minhas pupilas se dilatam
Abre um sorriso leve
Frio
Tímido
Que ironia
Como opostos que não vivem separados
Como Lua e Sol
Dia e noite
Treva e luz
Como Vestida e nua
Carinho e açoite
Tridente e cruz
Como não vivem sós
Coração e sangue
Somos nós.
(26-27-28-29/04/09)
Lisa Stér Cöy
www.lisastercoy.blogspot.com
www.acorjavirtual.blogspot.com
www.poesiaeternizada.blogspot.com
sexta-feira, 17 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
Televalsa-Pseudotrilha
Escolhida para crescer,
mas ainda pulsante a sua dependência.
Plutão é implacável
Senhor Saturno bem que avisou
e Cronos ri, cabisbaixo e silencioso.
e a culpa é minha - nossa.
Um adulto que é FORÇADO a nascer,
e a razão é nossa - minha.
Uma vida leviana, uma trajetória insegura,
e a Lei Humana assim se aplica - vossa.
Duas áreas divididas,
a mente fria e lógica, o coração quente e materno
e a confusão é minha - vossa.
Duas fases do Homem
E a adultação é vossa, a criança é nossa.
A dor no corpo, a falta de ar, a ambientação do fim-de-vida é minha.
Fossa.
terça-feira, 7 de abril de 2009
A Morte Alegre

O caixão era preto.
O cemitério era branco e cheio de árvores como a maioria dos cemitérios.
O morto estava pálido e com cara de quem morreu triste.
O morto tinha cara de infeliz.
Todos choravam como em qualquer interro.
Mas havia uma diferença naquele interro.
Um sorriso sinico nos lábios da viúva...
Para a viúva era uma morte alegre...
Desejos e Desatinos
Pois tuas deliciosas curvas são mesmo como as de uma cabrocha
E ao me imaginar, entrevendo-as numa penumbra sensual como a de um luar
Eis que como a mais bela rosa, no orvalho primaveril, só para mim, deslumbrantemente, você desabrocha.
Gosto de entrever-te, despida e quase nua
E na carícia dos momentos silenciosos,
Repletos de ânsias e gemidos, de suor e suspiros nervosos,
Te possuir ultrapassa os limites da vontade
É desejo, tesão, lascívia, libertinagem, por oras até insanidade.
Uma envolvente e estranha nebulosa me cerca,
Me abraça e me alucina
E põe em minha boca um gosto de desejo,
Que me excita, e, cada vez mais,
Me entorpece e desatina
Sim! Te ter, foder, trepar, transar
Não! Isso seria pouco, não contigo.
Tens mais fogo, mais sensualidade
E és tão grandiosa que te possuir só me remete a uma única palavra:
Profanar!
Ah sim, contigo eu seria profano, desrespeitando limites mundanos comuns, seria devasso,
O que nossos corpos e mentes imaginassem,
Qualquer coisa pra tornar este momento muito mais do que único
E também não só memorável, pois memórias se perdem ou se apagam
Seria mais que isso
Para nós, só haveria de ser uma única coisa simplesmente
Seria inefável, e ainda mais
Como tudo o que jamais poderá ser apagado,
Para nós seria indelével.
sábado, 4 de abril de 2009
Sonho inacabado
Desligaram as luzes, logo a minha também. Virei os olhos ao teto e chorei. Podia ouvir gotas de chuva ao bater no telhado, fortes, e ficava imaginando elas escorrendo das nuvens assim como minhas lagrimas o faziam ao entrar em contato com os lençóis. Faziam uma trilha, mapas de rios no canto de meus olhos, estes rios que nasciam do amor e desembocavam nas maiores profundezas de viv’alma solitária. No momento era eu.
Fechei os olhos. Por instante te vi à porta. Era ti mesmo? Fixei as pupilas como quem não acreditava. Pôs a mão na maçaneta e fechou a porta. Vagou lentamente até o pé da cama, quando sentou-se e perguntou: “Você me ama?”. O som da questão soou por meus tímpanos com ondas que se transmutaram em outra pergunta: “Você me quer?”. Eu disse sim. Repeti e repeti novamente. Eu continuei deitada ali enquanto o via tocar meu pé, logo minha panturrilha, minha coxa, então me tomara por inteiro.
Tudo ao redor era preto e branco
Diferentes cinzas em nuance
Mas tu eras diferente
Havia algo belo em você
Tu eras reluzente vermelho
Reluzente tão cintilante
Refletindo tão belo romance
Ao toque doce de nossos semblantes
Como se houvesse em minh’alma um espelho
Que rodeado de diamantes
Sobre ti, só me ajoelho,
Pedindo que sejamos amantes.
Você era meu cobertor, meu travesseiro, minha cama, minhas lágrimas.
Tudo era esmaltado em amor,
Rodeado por teu calor
Que, bem quente
Fazia da minha dor
Suave perfume em vapor.
Quando uma forte luz quase fere meus olhos. Abri-os. Já era dia e os raios de sol entravam janela adentro. Tudo estava claro, nada mais era preto e branco. Então percebo que você não era mais meu travesseiro, sequer o cobertor ou a cama. Embaixo de mim havia apenas um lençol molhado, salgado. Você fora, a ilusão fora. Nada passara de um sonho inacabado.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Aventura Fantasma
Revelava flores e folhas secas,
E poeira e parafina queimada.
Chegaram meus companheiros,
E acordamos do sono contínuo.
Saímos eufóricos de nossos túmulos
Éramos sombras entre névoas,
Invadimos o sarau dos vivos.
Filósofos, escritores, músicos
E góticos foram os anfitriões.
O sarau foi em nosso mausoléu,
A alegria das artes nos seduziu.
Dois bailes paralelos seguiam
Em uma só realidade!
A interseção de vivos e mortos
Criou nossa aventura fantasma.
Ossos e cinzas dormem enquanto
A mortalha será nossa bandeira.
- Mensageiro Obscuro.
Maio/2008.
http://www.abismo-do-obscuro.blogspot.com
Marcha Funérea
Extinguiu-se em cor mortal.
A mortalha longa tremulou,
Tornou-se capa espectral.
Esgueiro-me entre lápides,
Vestido em tecidos mortuários,
Sugando o calor de vários,
Má notícia em tablóides.
Pele cianótica, inerte carcaça,
Nesse baile de máscaras,
Somente vida pútrida e escassa.
Só esquecimento, vida etérea,
Ofereçam-me vinho e uma taça
Para brindar essa marcha funérea.
- Mensageiro Obscuro.
Outubro/2008.
http://www.abismo-do-obscuro.blogspot.com
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O DINHEIRO

Se imaginou, imaginou errado,
Animais não se prostitui, só seres humanos...
terça-feira, 24 de março de 2009
Um poema com 05 anos de vida

Estrela da Manhã
Eu sou um mundo em dissipação.
Foguetes no céu de um Ano Novo que morre constantemente,
sou a celebração do fim adiado.
Vinde, irmãos, que lhes trago boas novas.
Há os que procuram o fio da navalha, o sorriso dos indiferentes.
Há os que, num momento de fúria, procuram pactuar com o profano
e derrubar portas.
Buscadores, ouvi-me.
Quero ser o general deste exército de descontentes.
Quero estar com aqueles que fazem versos sobre o que é estar vivo.
Morrer é para os fracos. Morrer é ser irresponsável.
Há os que morrerão olhando as sombras na parede das cavernas.
Meu exército irá dançar sob o sol
sobre areia e grama.
Há os que irão ser enterrados com suas pedras e cordões.
Dexai os tolos em suas tumbas.
Viveremos todos os dias como se fossem os últimos
e teremos fome e sede de justiça,
mas nunca de pão.
Vinde, ó sonhadores!
Já se faz tarde o amanhã do mundo.
Sou a festa, a Estrela da Manhã, a negação e o poder.
Acordai, pois, o que há em mim dentro de vós.
O poderoso sedutor, o Messias, o boêmio, o pai, o professor,
todas estas máscaras que vos causam espanto são meu reino.
Moro nas entranhas de vossas almas e todos vós me pertenceis.
Empunhai as bandeiras da verdade diante da hipocrisia;
Perguntai a todos o que é o mais importante;
Cantai a todo instante a beleza do Canto;
Semeai as almas com o Canto.
Em segredo, já estais seguindo meus mandamentos.
A mesa está posta com o melhor vinho, poetas.
Regozijai-vos.
Ide e espalhai a boa nova: O Inferno também morreu.
Somos todos responsáveis por nossos erros para sempre.
E não sede iludidos pela solidão. Somos agora mesmo, um exército.
Eu sou a vitória de vosso sonho.
Batei à minha porta para verdadeira Grande Marcha.
(Henrique Santos)
domingo, 22 de março de 2009
Ordem e Progresso...

Sete horas, acordo do meu sono. Ligo o rádio e começa a ordem...
...Oito e meia, saio apressado para o trabalho, estou um pouco atrasado, mais antes de pegar o ônibus, ainda dá tempo de me render à ordem da banca de jornal...
...Vibro com a mão de obra barata esquartejada e ensopada de sangue na primeira página. Vejo também a seleção que ganhou mais alguns milhões de dólares na Europa, acredito que isso é progresso...
...Dez horas, chego ao trabalho. Apressado. Ligo o computador. Logo aparece o Windows, que é a ferramenta perfeita para me manter sob a ordem todo o meu dia...
...treze horas. Saio para almoçar, bastam 20 minutos para que seja vencido e dominado pelo Mc Nojeira. Dizem que é seguro...
...Algumas horas se passaram. Já são dezesseis horas, eu estou domesticado pela Internet... Sem perceber, esse é o meio mais eficaz de me manter em ordem, pior, eu acredito que é progresso...
...Dezenove horas, sem perceber, estou atado e vencido por Fernando Henrique, Saint Simon, Jk, todos me mantendo em ordem e eu achando que a faculdade é um progresso. Isso vai até às vinte e três horas. O tempo é curto, ficou para me alienar e dominar amanhã; Constantino, Fattini e Polux...
...Zero hora, chego a casa, estou muito cansado, vou direto para a cama, não dá tempo de pegar o controle remoto da TV. Senão, seria fácil mente mantido em ordem pelos convidados daquele gordo preguiçoso e burguês que a ordem me obriga pensar que é intelectual.
Quem sou eu? Mais um escravo da ordem que pensa que faz parte do progresso.
O Globalizado Solitário

Século 21; faço parte desse universo, Talvez complexo, porem fascinante...
...Fascinante seria se não observasse minha solidão.
Século 21, eu ando na minha bicicleta de um lugar só e sem bagageiro.
Ando com meu mp3 no ouvido, seleciono as músicas que só eu vou ouvir.
Ando entre os carros entretido com as músicas... Há essas músicas!
Músicas que me tiram à atenção daquela rosa bela no muro da casa amarela.
Casa amarela que eu nem vi a cor dela.
Eu nem percebo a garota chorando por atenção na janela.
Músicas essa que me tiram à atenção.
Não percebo o garoto de belo coração.
Que chora ao ver um homem pegar no lixo restos de comida com a mão.
Músicas que não me deixam ver o quanto sou egoísta.
Egoísta por não perceber que o fraco precisa do artista.
Egoísta por não entender que preciso ser menos egoísta e não artista.
Há mundo globalizado, que não me deixa ver o belo no detalhe,
Globalizado que me torna um solitário.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Numa noite turva de chuva ancorei sã e só por tuas lembranças...

Pra ti Florbela
pra ti
única como ser humano vitral (a quem não ouso imitar, mas da qual não posso evitar me embriagar)
Missing (Carta-bruta) para Apócrifo
Uma quantidade imensa de barro pra moldar
em meio ao nada Uma quantidade enorme assume forma pra logo então ver-se diluir sob a chuva dos desencantos
Narciso espaço para meia dúzia e outrora deixado pra NinguéM
Incontáveis poemas pra tecer e se esquecer numa orgia de silêncios
Melodias em cascata afogam-TE
Suplantar Saudade que invade carne, sangue, tombado convés de ensaios
Do peito antigo
Em perigo, sempre em risco por seu desistir do apego ver-se em fracasso
Saudade indigna Que teima em ficar retida no tempo como tinta descascada na parede
Sem viço, rachada e velha
Sem função, porém aparente
inexoráveis cicatrizes
Um barco no horizonte
leva OS mensageiros
que flutuam sobre corredeiras de dor em ondas
Deixai que eles (poetas) sentem-se á roda como distintos
e abomináveis amantes incuráveis com suas chamas no olhar
Não vos ofereçam a dádiva do consolo Vão enquanto navegam ou acendem fogueiras
A dor é bruta
E por assim ser é pura e por vezes desejável
E assim também nascem poemas
Seu caráter lírico não os fazem menos desesperados e loucos
na contramão da lógica
Ah!!Se os pés de Florbela aqui estivessem
Ao seu lado caminharia em silêncio
Tragando a cumplicidade tão doída em seu sentir
Seu aperto de mão denunciaria que por vezes ser tomado como louco é apenas estar concentrado e despido das máscaras de normalidade
Tênue linha que nos separam da lucidez
Pra descobrirmos que não se oferece carona para as estrelas
Se não se sabe a quem e nem como amar
Não se ferem árvores sem nos ter concedido o provar dos frutos
raízes tem promessas, mas não contém sabores...
Ah!
Florbela se aqui estivesses
Comunicar-lhe-ia a breve intenção de incinerar os dedos e as idéias
Pra dançar livremente sobre um campo de Lírios e violetas!
Extasiante e salvífico
Antídoto contra a crueldade!
Florbela diria
como é duro e fundo
Contemplar a ausência de tua imagem
Como quem espera encontrar a peça perdida desencaixada de um mosaico
Que não está lá
mas que de forma crua e nua
parece brilhar!
Exúvia Hannar (baú 2005)
foto: Florbela Espanca By Botelho
trilha pra revisão: Fake plastics tree (Radiohead)&Missing (Vangelis)
matériabruta: www.fotolog.com/poemista
& www.insignare.blogspot
terça-feira, 17 de março de 2009
Pelo "De",A,b,c.e,f,g,H.......

Pelo De
Pelo direito de buscar inspiração
De estar imerso
De revidar a rima
De desamarrar o verbo
Desarmar a circunstancia vulgar
De estranhar-se
De embrenhar-se fora do marasmo
Pela Graça de estar só quando o ser estranho se basta
De esmurrar paredes
E esquecer espelhos
Pelo Brinde a poesia
De revidar a mediocridade
E ferir-se na sabedoria
De invocar os mestres
E reunir-se ao contemporâneo
Por escrever com tintas novas
E embriagar-se repetidamente das palavras pra saudar com pele velha um traçado novo
De andar descalço pelos escombros
Admitir a tristeza
Estar do Avesso
Argumentar ao contrário mesmo que nem tão inusitado
Pelo direito de identificar-se
Apesar da indiferença
E sentir-se pleno pela subcriação!
Compor é buscar
Enquanto giramos sobre antigas tramas
versificamos manias
e sorrimos para o Tigre enjaulado
como disse um certo amigo!
Melian Cordéus
Pro Tio Rodrigo.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Maquina do Tempo 2
ou seria nos tempos?
Movimentos são descartados
Mas tempos só viram passado.
Pode ser bonito ou feio
Pode ser bom ou ruim
O máximo que pode acontecer é virar passado.
Mas quando o passado é lembrado não se torna presente?
Presentes são novos tempos ou tempos repetidos?
Se os tempos se repetem
então há apenas um único tempo?
Acho que sim,
Um único tempo
Tempo de crescer...
Ou sumir...
terça-feira, 10 de março de 2009
Desabafo sem Dono.
Contamos com os que nos odeiam, e
odiamos a aqueles que nos querem bem.
No começo, o verbo era luz.
Tornou-se carne.
Mas esta carne ficou podre, tornando o verbo
um pretérito imperfeito.
Afinal, também somos todos imperfeitos ( à imagem e semelhança do verbo ).
Deixemos, pois, tudo e olhemos para a frente.
Cuidando com o que vem detrás e escondemos em iniquas sombras.
O pé atrás pode desequilibrar o da frente.
Pode nos derrubar adiante.
Corrijamos os passos, sem esquecer os caminhos em que passamos.
Porém, não nos apeguemos a elas, afim de não rebocar as pedras e cacos em que pisamos.
Errei uma vez, tolice sua.
Errei duas vezes, tolice minha.
Cada vida é uma vida em separado.
Tolice nossa.
Tudo está amarrado, nessa globalização de almas.
Para o bem e para o mal.
E você reclama de minhas maneiras...
Não ouviu nada do que eu disse.
Pode me odiar, eu permito.
mesmo que não permitisse, não poderia te impedir de me odiar.
Continue com seus valores invertidos
Quando cair no escuro poço, e estiver mergulhada em sombras e lama, estenderei mais uma vez, minha mão para te acudir.
Mesmo que não me ame.
Mesmo que não me entenda.
Afinal, também não entenderam o verbo....
domingo, 8 de março de 2009
Maquina do Tempo

Percebo que existe vários tempos
Quando o tempo passa
Percebo que não passou apenas um único tempo.
É perceber que voltamos apenas a um dos tempos...
O tempo do carinho,
O tempo do medo,
O tempo do consolo,
O tempo do sonho;
Do sonho de acreditar em um futuro.
O tempo que se tinha tempo para cantar,
O tempo que se tinha tempo para escrever...
Escrever com o sonho de mudar o tempo...
sexta-feira, 6 de março de 2009
Denunciare et Cavalgare

Bem vinda injustiça Talvez bem vinda
Peço-vos licença e ergo a taça
Diga novamente o seu preço
Em troca da minha vez
Diga novamente o quanto custa tua fama
Teus pés sobre minha honra
Mais um brinde em tua sala
Mais um brinde no teu baile
Eu vos peço licença
Pra trazer mais convidados
Mutilados
Boêmios
Gente extrema
Sem promessa de futuro ameno
Ou passado encantado
Tuas bandejas oferecem flores frias
E feridas oferendas num buquê de ilusões
Tua voz rouca pronuncia desdéns sob o meu querer
Enquanto te dás por companhia em mais uma dança
Se me recuso
teus cavaleiros me assolam
Eu te digo que a mim pouco importa tua oferta-contradição
De tuas taças já provei
De tuas bandejas me servi
Eis-me cavalgando esta sina
De poemas na veia
&
e a sarjeta no coração
Espreitando tua sombra
Que põe-se a cortejar o meu destino
tua espada sedutora
tua taça transbordante
Incitando a solidão....
"Fragmentos do baú 2004"
Melian Cordéus/Poemista/Luciernarga/Exúvia Hannar
domingo, 1 de março de 2009
Homenagens ao BBB

Primeiro pensei em reunir 30 homens com 200Kms cada. Cada homem tomaria um litro de laxante, todos se trancariam em um quarto durante horas, esperando o material para esculpir um busto comemorativo de anos de BBB.
Que acham?
Depois pensei em reunir os mesmos 30 homens com uma tonelada de repolho. Eles comeriam todo o repolho para produzir i incenso necessário para a adoração ao BBB.
Sei lá, estou em dúvida, alguém tem outra sugestão?
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Lira via de veneno

(canção)
O que você pode não querer mais
Não dá pra perder de vista
Por que não há como esconder
O ponto em que hesitamos
Pois não se sabe em quais dos abismos estão às chaves
E eles ficaram abertos
Você nega e diz que não precisa mais das mesmas idéias
Não há velocidade que acompanhe a mudança em teus sentidos
na vigília desta força instinto
Que aferroa meu olhar
Um escorpião (pião)
A dançar no contorno de meus pés
Cadê? E onde?
Cadê?.....
A tua cadência
Que Perdida não é mais
Tua cadência
Que vaga e oscila
Quando (pião) escorpião
Põe-se de espreita na dança estreita
de escolhas caminhos
em que se perdem nossos pés
Arrisca
Arrisca
Anzol e isca
Tua sina
Que arrisca dança e tênue magia
Sob o mar de prata que oculta meu segredo
É sim
Tua cadência
No rastro de breve desencanto(que é só meu)
Com tua cara pra esconder
O que vem mostrar este escorpião de fogo
Enquanto ferroa o contorno de teus pés
Vida e ciladas
Veneno da verdade em vias duplas
Mar de prata que oculta meu segredo
Ah! Escorpião que escapa vestindo meu destino
Ah! escorpião zombando em meus sentimentos
Ferroa
pra anestesiar o que não foi
Ferroa pra despertar o que passa
E o que passar também virá...!!!
o que passar também virá...!!!
Exúvia H .Lorien/Poemista/Melian Cordéus
* registrada
inspirada em Under the Iron sea/Keane
www.acorjavirtual.blogspot.com
www.insignare.blogspot.com
www.fotolog.com/poemista






